Contorno a pé da ilha em sete dias mostra as várias faces
da capital catarinense, misturando esforço físico, paisagens
deslumbrantes, história e personagens marcantes.
Conhecida por suas belas praias, Florianópolis oferece um roteiro diferenciado para quem gosta também de aventura, ecologia, história e cultura, tudo num concorrido período de sete dias. Foi este o tempo que levamos para percorrer, a pé ou a bordo de caiaques, os mais de 200 quilômetros de praias, trilhas, morros, pedras, costões, dunas e mangue que circundam a chamada Ilha de Santa Catarina. No trajeto, muita caminhada, sítios arqueológicos, esforço físico e personagens inusitados que contam um pouco da rica história da capital catarinense.
O mais impressionante são os contrastes vivenciados diariamente na jornada. Entre uma praia e outra com águas convidativas e de um azul impressionante, caminha-se por costões selvagens e até matas fechadas. Meia hora depois, chega-se à areia onde turistas se bronzeiam a beira do mar. Um pouco adiante é a hora de andar em estradas ou ruas asfaltadas em companhia dos carros, mas logo depois retorna-se para a praia, pedras costeiras ou trilhas. Pelo caminho, casas modernas e prédios intercalam-se com construções antigas da colonização açoriana, além de matas e morros de densa vegetação.
Cada dia da caminhada é uma surpresa diferente. Novas paisagens, desafios e personagens – pescadores, donos de bares e pousadas, guias, barqueiros, turistas, bêbados ou criadores de ostra; descendentes de nórdicos, portugueses, açorianos, índios, negros e do homem de sambaqui, que habitou a ilha há mais de 4 mil anos deixando pinturas e pedras esculpidas. Em função da falta de tempo, as conversas e solicitações de informações são rápidas mais intensas, e o sotaque variado.
A aventura começou na manhã do dia 16 de novembro, na praia dos Ingleses, rumando para o norte com a mochila nas costas e protetor solar na pele, e terminou no mesmo local na tarde do dia 22, chegando pelo sul. Neste período, dormimos cada noite num local diferente - pousadas, albergue e camping, enfrentando sol, chuva, frio, arranhões e dores musculares. Ao final, além de fotos e recordações, ficou a agradável constatação de termos realizado aquela que deverá se tornar uma das principais caminhadas do ecoturismo brasileiro.
Texto:Gustavo Junqueira Jr
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